Gil Almeida
Hoje a gente vai falar desse tema que
incomoda a tanta gente. Certamente não é fácil se organizar e construir uma
rotina de forma que case perfeitamente com as nossas necessidades, todavia é
possível.
Antes de tudo, gostaria de trazer uma
reflexão sobre o que significa a palavra rotina para nós. Começo lembrando a
canção Cotidiano de Chico Buarque: "Todo dia ela faz tudo sempre igual. Me sacode às seis horas da manhã. Me sorri um sorriso pontual. E me beija com a boca de hortelã". Baseando-se no que traz a música do artista brasileiro, a rotina não poderia realmente nos apetecer. É tudo sempre igual, repetitivo, nunca muda. Ainda escutamos, com frequência, as pessoas verbalizarem frases como: “Saia da rotina! Você precisa
relaxar”!
Ora, todos dizem a mesma coisa. A rotina
precisa ser quebrada para que a gente possa sentir bem-estar. Com palavras e
canções (mesmo que seja uma bela música) como essas soando em nossos ouvidos, fica verdadeiramente difícil, ter
um olhar positivo em relação à rotina.
Contudo, convido todos os leitores a fazer
uma ressignificação do termo rotina para que a gente possa superar essa ideia
de mesmice, repetição, monotonia. Nesse sentido, vamos pensar como seria nosso
dia a dia sem o mínimo de organização: sem hora para acordar, sem hora para realizar
tarefas importantes de estudo e trabalho, sem hora para a alimentação, sem hora
para descanso, sem hora para dormir. Beira o caos, não é?
Pois bem. A partir desse ponto de vista, estudos
atuais dizem que nós precisamos de previsão para reduzir a ansiedade que a incerteza
causa, o nosso corpo precisa saber que vai receber alimentos, que vai ser
hidratado para não precisar armazenar mais nutrientes que o necessário. Então, rotina
não precisa, necessariamente, lembrar dor, sofrimento, mas o oposto disso:
planejamento e equilíbrio.
Saber o que vai ser realizado a curto e médio
prazo faz a gente ter conforto e segurança. O estresse que a ansiedade provoca
é dissipado e temos a calma necessária para realizar atividades que nos trazem prazer, por exemplo.
Desse modo, não é proposto aqui que as
pessoas vivam no automatismo, que deixem a previsibilidade comandar suas vidas.
Mas, que é muito importante um equilíbrio entre o que precisa de planejamento e
o que fica na conta do inesperado. Afinal, todos os dias algo imprevisível pode acontecer.
Então, só temos que lidar com isso, ir aprendendo com as experiências cotidianas
e construindo um equilíbrio entre a nossa organização e a imprevisibilidade.
Para que estejamos cada vez mais seguros com
o nosso dia a dia e o nosso planejamento, sem a rigidez que oprime e causa sofrimento,
é fundamental que desenvolvamos o autoconhecimento
uma habilidade socioemocional extremamente importante. Assim, a gente pode gerir nossa vida com mais organização. Todavia, isso significa que precisamos
investir um tempinho para pensar em nossas emoções, em nossos sentimentos e
como lidamos com isso. Não há como evitar nossas emoções, não há como fugir de
eventos que nos causam sofrimento, mas é possível conviver de forma equilibrada
com as incertezas da vida, nossas dores e angústias pessoais e com as pessoas e
situações que nos aborrecem.
Quando as nossas emoções estão mais claras
para nós, conseguimos não agir por impulso, conseguimos refletir antes e evitar
fazer coisas, dizer coisas que causem danos a nós e a outras pessoas. O que já
nos leva à autorregulação que é a
gerência dos nossos sentimentos. Ter essa habilidade socioemocional
desenvolvida não significa que a gente não vai sentir raiva, tristeza,
angústia, mas pode nos direcionar para os caminhos que nos trarão sensações e ações positivas.
Para tanto, hoje, propomos algumas dicas de
como organizar nosso dia a dia de forma que tenhamos o ajuste necessário, mas
que seja mantida a flexibilidade para estarmos vivos e criativos. Nada de
piloto automático, apenas organização.

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