Escrito pela Profa. Ms. Gil Almeida
Você já parou para pensar como você tem influenciado na construção do mindset do seu filho ou dos seus alunos?
Bem,
comecemos com uma historinha que, metaforicamente, nos faz entender melhor
sobre nossa reflexão de hoje.
Uma vez
um macaco encontrou uma jarra com um coco dentro. O macaco, por gostar muito de
cocos, enfiou a mão na jarra e tentou muito retirar o fruto do interior da
jarra. Mesmo sem sucesso, o animal continuou a tentar desperdiçando bastante
tempo.
Essa é
uma história que está divulgada e é possível encontrar facilmente na internet,
não encontrei o autor, mas penso que ela é fundamental para pensarmos sobre o
tema de hoje. Afinal, todos nós sabemos, mesmo que instintivamente, o quão
difícil é mudar de opinião, mudar de atitudes, modificar nosso caminho e buscar
novos desejos ou mesmo novas estratégias para retirar o tão desejado coco da
jarra. Isso se deve ao nosso sistema de crenças que é formado pelas nossas vivências
e interações no decorrer de toda a nossa vida.
Na
Sociologia, autores como Peter Berger e Thomas Luckmann (2002) chamam esses
momentos da nossa experiência humana de socialização primária (que acontece
dentro da família) e socialização secundária (que acontece nas outras
instituições ao longo de nossas vidas – escola, igreja, etc..). Nesse sentido,
todos os adultos com os quais convivemos e vivenciamos experiências são parte
na construção do que pensamos, da maneira com a qual agimos: do que somos. O
nosso modelo mental ou modelos mentais – o mindset,
inclusive, é resultado de tudo que experienciamos. Nesse contexo, mindset é tudo aquilo em que acreditamos
sobre nós mesmos, o conjunto de ideias que temos das coisas e do mundo, as
crenças e os valores. O mindset
permite que julguemos o mundo de uma forma específica, a nossa forma. Isso
também nos direciona para tomadas de decisões.
Segundo
uma das grandes especialistas em psicologia social e psicologia do
desenvolvimento, Carol S. Dweck, o quanto de sucesso que conseguimos em nossa
vida não depende exclusivamente de talentos ou de habilidades especiais, mas da
forma com a qual olhamos a vida, isto é do nosso mindset. Nesse sentido, a autora e pesquisadora aponta dois tipos
de mindset: o fixo e o de crescimento.
Sempre apresentamos as duas possibilidades, mas uma é mais marcante que a outra
e rege mais as nossas vidas e decisões. Se, por um lado, tivermos o midset fixo mais acentuado isso
significa que nossas atitudes estarão marcadas por pensamentos mais negativos,
rígidos, sem expectativas de mudanças. Por outro lado, o mindset de crescimento é mais positivo e sempre encontra
aprendizagens no que as pessoas de mindset
fixo não encontrariam. Em outro texto, os tipos de mindset serão mais detalhados e exemplificados.
Sendo
assim, nós enquanto adultos responsáveis de alguma maneira por crianças,
devemos nos preocupar com as mensagens que estamos passando. Pois é. Mandamos
mensagens o tempo inteiro. E, sabendo que elas vão chegar a alguém, precisamos
ser cautelosos, cuidadosos.
Vejamos alguns exemplos de formas de agir:
Ø Filho(a), você é muito
desorganizado(a)! Veja a bagunça que é o seu quarto.
Numa fala como essa,
certamente, você deseja que seu filho ou filha seja mais organizado. A um
adulto não resta dúvida. Mas, será que para uma criança ou adolescente é assim
que é compreendido? Será que gera a aprendizagem que o familiar deseja?
Ora, se a gente
observar bem, esse pai ou essa mãe está dizendo para seu filho(a) que ele ou
ela é desorganizado(a). Se ele ou
ela é, por que ele/ela iria
organizar seu quarto? Conseguem entender isso? Os pais, sem querer, acabam por
ajudar na construção de algo que eles não desejam. Ressaltar características
que eles não gostariam que seus filhos tivessem.
Então,
pensemos:
e se em vez de chamar o filho de desorganizado, fosse promovido um momento de
organização de forma agradável e divertida? Depois disso, por que não focar em
falas que fortaleçam os benefícios da organização?
Da mesma maneira, observemos atitudes que
um professor não deveria ter com seus alunos e alunas:
Ø Francisco, apague
essa letra. Você é muito relaxado com suas atividades!
Não podemos dizer que
o(a) professor(a) quer prejudicar a criança. Isso seria leviano. Mas, de fato,
essa atitude não é nada inspiradora para o(a) estudante.
Então,
pensemos: e
se em vez dessa fala agressiva que rotula a criança, fossem valorizadas as
conquistas de cada discente, observando sua aprendizagem a partir dele mesmo e
do momento anterior em que ele se encontrava? Isso não seria mais prudente e
teria mais sentido?
É disso
que trata a discussão de hoje. Olhar para nossas ações, das nossas falas, dos
nossos body gesture. Pois, cada
momento que estamos com os pequenos, ensinamos-lhes coisas que podem ser
marcante para o resto da vida deles. E, o mais complexo disso tudo é que não
temos como saber como uma experiência vai afetar alguém. Isso é sempre muito
particular. Todavia, nós sabemos o que afeta negativamente. O que pode causar marcas.
Então, o que é possível evitar, devemos evitar. E sempre pensar, como Romeo
Dean Bussarelo, que “educar não tem dia útil!”
Se você quer saber mais sobre esse assunto visite o nosso canal no Youtube clicando aqui.
Nenhum comentário:
Postar um comentário