quarta-feira, 2 de setembro de 2020

MINDSET: o que isso tem a ver com minha relação com meu filho ou meus alunos?

 Escrito pela Profa. Ms. Gil Almeida

Você já parou para pensar como você tem influenciado na construção do mindset do seu filho ou dos seus alunos?

Bem, comecemos com uma historinha que, metaforicamente, nos faz entender melhor sobre nossa reflexão de hoje.

Uma vez um macaco encontrou uma jarra com um coco dentro. O macaco, por gostar muito de cocos, enfiou a mão na jarra e tentou muito retirar o fruto do interior da jarra. Mesmo sem sucesso, o animal continuou a tentar desperdiçando bastante tempo.

Essa é uma história que está divulgada e é possível encontrar facilmente na internet, não encontrei o autor, mas penso que ela é fundamental para pensarmos sobre o tema de hoje. Afinal, todos nós sabemos, mesmo que instintivamente, o quão difícil é mudar de opinião, mudar de atitudes, modificar nosso caminho e buscar novos desejos ou mesmo novas estratégias para retirar o tão desejado coco da jarra. Isso se deve ao nosso sistema de crenças que é formado pelas nossas vivências e interações no decorrer de toda a nossa vida.

Na Sociologia, autores como Peter Berger e Thomas Luckmann (2002) chamam esses momentos da nossa experiência humana de socialização primária (que acontece dentro da família) e socialização secundária (que acontece nas outras instituições ao longo de nossas vidas – escola, igreja, etc..). Nesse sentido, todos os adultos com os quais convivemos e vivenciamos experiências são parte na construção do que pensamos, da maneira com a qual agimos: do que somos. O nosso modelo mental ou modelos mentais – o mindset, inclusive, é resultado de tudo que experienciamos. Nesse contexo, mindset é tudo aquilo em que acreditamos sobre nós mesmos, o conjunto de ideias que temos das coisas e do mundo, as crenças e os valores. O mindset permite que julguemos o mundo de uma forma específica, a nossa forma. Isso também nos direciona para tomadas de decisões.

Segundo uma das grandes especialistas em psicologia social e psicologia do desenvolvimento, Carol S. Dweck, o quanto de sucesso que conseguimos em nossa vida não depende exclusivamente de talentos ou de habilidades especiais, mas da forma com a qual olhamos a vida, isto é do nosso mindset. Nesse sentido, a autora e pesquisadora aponta dois tipos de mindset: o fixo e o de crescimento. Sempre apresentamos as duas possibilidades, mas uma é mais marcante que a outra e rege mais as nossas vidas e decisões. Se, por um lado, tivermos o midset fixo mais acentuado isso significa que nossas atitudes estarão marcadas por pensamentos mais negativos, rígidos, sem expectativas de mudanças. Por outro lado, o mindset de crescimento é mais positivo e sempre encontra aprendizagens no que as pessoas de mindset fixo não encontrariam. Em outro texto, os tipos de mindset serão mais detalhados e exemplificados.

Sendo assim, nós enquanto adultos responsáveis de alguma maneira por crianças, devemos nos preocupar com as mensagens que estamos passando. Pois é. Mandamos mensagens o tempo inteiro. E, sabendo que elas vão chegar a alguém, precisamos ser cautelosos, cuidadosos.

 

Vejamos alguns exemplos de formas de agir:

Ø  Filho(a), você é muito desorganizado(a)! Veja a bagunça que é o seu quarto.

 

Numa fala como essa, certamente, você deseja que seu filho ou filha seja mais organizado. A um adulto não resta dúvida. Mas, será que para uma criança ou adolescente é assim que é compreendido? Será que gera a aprendizagem que o familiar deseja?

Ora, se a gente observar bem, esse pai ou essa mãe está dizendo para seu filho(a) que ele ou ela é desorganizado(a). Se ele ou ela é, por que ele/ela iria organizar seu quarto? Conseguem entender isso? Os pais, sem querer, acabam por ajudar na construção de algo que eles não desejam. Ressaltar características que eles não gostariam que seus filhos tivessem.

Então, pensemos: e se em vez de chamar o filho de desorganizado, fosse promovido um momento de organização de forma agradável e divertida? Depois disso, por que não focar em falas que fortaleçam os benefícios da organização?

Da mesma maneira, observemos atitudes que um professor não deveria ter com seus alunos e alunas:

Ø  Francisco, apague essa letra. Você é muito relaxado com suas atividades!

Não podemos dizer que o(a) professor(a) quer prejudicar a criança. Isso seria leviano. Mas, de fato, essa atitude não é nada inspiradora para o(a) estudante.

Então, pensemos: e se em vez dessa fala agressiva que rotula a criança, fossem valorizadas as conquistas de cada discente, observando sua aprendizagem a partir dele mesmo e do momento anterior em que ele se encontrava? Isso não seria mais prudente e teria mais sentido?

É disso que trata a discussão de hoje. Olhar para nossas ações, das nossas falas, dos nossos body gesture. Pois, cada momento que estamos com os pequenos, ensinamos-lhes coisas que podem ser marcante para o resto da vida deles. E, o mais complexo disso tudo é que não temos como saber como uma experiência vai afetar alguém. Isso é sempre muito particular. Todavia, nós sabemos o que afeta negativamente. O que pode causar marcas. Então, o que é possível evitar, devemos evitar. E sempre pensar, como Romeo Dean Bussarelo, que “educar não tem dia útil!”


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