Escrito por Gil Almeida
No decorrer da história da educação das crianças menores, várias situações devem ser observadas em relação ao progresso dos espaços escolares. Isso passa, inclusive, por uma transformação no que diz respeito ao olhar sobre a criança e a ideia que se tem desse momento da vida de um indivíduo.
No século XVIII, a ideia de infância começa a ser discutida. Rousseau (1995) começa a discordar de que as crianças fossem pequenos adultos. Esse filósofo desperta o pensamento pedagógico da época em prol de uma compreensão educativa frente às luzes da razão e, distanciando-se, dessa forma, da obscuridade religiosa. Segundo Aranha (1996), Rousseau foi o primeiro a tratar claramente da diferença entre a mente da criança e a do adulto. Esse autor esboça a importância de respeitar e conhecer as peculiaridades da criança, não a considerando um adulto em miniatura.
Na educação brasileira, os jesuítas foram os primeiros a ensinar, mas de forma tradicional. Apenas quando eles foram expulsos do Brasil, o Estado passa a ser responsável pelo processo educacional, colocando, pela primeira vez, professores pagos pelo governo. Entretanto, ainda não era estendido a todos o direito à escola. Apenas os filhos dos mais ricos tinham esse direito garantido. O restante se destinava à agricultura e a vários outros trabalhos que não exigiam formação mais aprimorada. As meninas, por sua vez, eram educadas pelas mães, sendo apenas treinadas nas prendas domésticas e custa muito a terem o direito de adentarem ao espaço escolar.
Dando um salto na história, no ano de 1961, em 20 de dezembro, a Lei nº 4.024 reconhece e fixa as diretrizes e bases da Educação Nacional. De acordo com essa Lei, que só passou a vigorar a partir de 1962, ficaria o poder público obrigado a assegurar o direito à educação a todos os brasileiros. Todavia, no que se refere à história da Educação Infantil essa é, relativamente, recente neste país. Apenas, nas últimas décadas, o atendimento à criança menor de seis anos tornou-se obrigatório. Isso se deu, em grande medida, devido às demandas crescentes que decorreram da inserção da mulher no mercado de trabalho.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9394/96) estabeleceu a Educação Infantil como a primeira etapa da educação básica (título V, capítulo II, seção II, art. 29), assim como afirmam as Diretrizes Curriculares para a Educação Infantil, delineando diretrizes voltadas a esse nível de ensino.
O atendimento à criança de zero a seis anos só foi reconhecido na Constituição Federal de 1988, e as escolas de Educação Infantil (creches e pré-escolas) passaram a ser, do ponto de vista legal, dever do estado e direito da criança. Também o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA – (1990) destaca esses direitos.
É muito importante na Educação Infantil a clareza dos objetivos referentes ao desenvolvimento das crianças nas diferentes fases, pois é nesse nível, que a criança começa a trabalhar suas habilidades, hábitos, atitudes e atividades psicomotoras que vão preparando-a física e mentalmente num grau crescente, que deve ser aperfeiçoado, à medida que a criança cresce e se desenvolve.
Sendo assim, os processos de ensino/aprendizagem na Educação Infantil devem ser concebidos mediante o pensar da criança, dando oportunidade a ela de expor suas ideias, suas vivências e seus sentimentos. Portanto, todos os níveis da Educação Infantil requerem atenção, cuidado e muita dedicação, pois esses são a base para a construção do conhecimento, o início da vida escolar, momento único para as crianças. Nessa fase, tudo o que é construído é levado para toda a vida. A base Nacional Comum Curricular – BNCC –, documento mais recente que dar conta de toda a Educação Básica brasileira, traz como eixos norteadores da Educação Infantil as interações e as brincadeiras. Então, é seguindo esses eixos que todo o processo de aprendizagem e desenvolvimento das crianças pequenas deve acontecer por meio de muitas atividades lúdicas.
Este texto é parte de um artigo escrito por mim e adaptado para o Blog.
MELO, Gilcerlandia Pinheiro Almeida Nunes. A ludicidade como recurso pedagógico na Educação Infantil. Pró-Discente: Caderno de Produção Acadêmico-Científica, Vitória-ES, v. 24, n. 1, p. 29-43, jan./jun. 2018.
Link do artigo completo:
Aprender deve ser sempre um plano em nossa vida. Isso ninguém nos tira. Por isso, faço um convite à aprendizagem. Os temas discutidos aqui estão, no geral, ligados ao processo de aprendizagem no sentido mais amplo que a palavra possa permitir.
quinta-feira, 30 de julho de 2020
EDUCAÇÃO INFANTIL É COISA DE CRIANÇA!
quinta-feira, 23 de julho de 2020
HABILIDADES SOCIOEMOCIONAIS: autoconhecimento
Gil Almeida
Para começar, vamos entender que autoconhecimento é uma das habilidades socioemocionais, assim como: autorregulação, consciência social, habilidades de relacionamento e tomada de decisão responsável.
E o que são habilidades socioemocionais? Segundo a organização internacional Casel (Collaborative for Academic, Social, and Emotional Learning), sediada em Chigago, EUA, habilidades socioemocionais são aprendizagens relativas às emoções e sentimentos que precisam ser desenvolvidas em crianças e adultos.
Essas aprendizagens ajudam aos indivíduos a serem mais assertivos em suas atitudes, mais comedidos em suas ações e reações, mais propensos a definir metas e cumpri-las, a ter empatia por outras pessoas, a estabelecer e manter boas relações pessoais e profissionais e a ter decisões responsáveis.
Para quem nunca ouviu falar, essa instituição, Casel, vem desenvolvendo pesquisas e práticas há mais de 20 anos sobre a aplicação do desenvolvimento das habilidades socioemocionais em crianças da pré-escola até o Ensino Médio. A ideia é que conteúdos cognitivos sejam aprendidos, mas também as emoções sejam trabalhadas em conjunto.
Então, já há vários estudos que resultaram dessas experiências da Casel e muitas escolas do mundo inteiro já estão experimentando o trabalho com o reconhecimento e desenvolvimento das emoções.
Aqui no Brasil, é muito recente a discussão sobre esse tema. A gente tem falado mais disso nos últimos três ou quatro anos. Especificamente, porque a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que organiza o ensino de toda a Educação Básica, trouxe a obrigatoriedade de trabalhar as competências socioemocionais. Mas, as dúvidas e dificuldades dos educadores e pais ainda são muitas. Inclusive, este ano (2020) é o início das experiências reais de aplicabilidade da BNCC na Educação Infantil e no Ensino Fundamental. Nesse sentido, está havendo uma corrida para os estudos do tema Educação socioemocional.
Depois de apresentar as habilidades socioemocionais e o que elas são, vamos focar no autoconhecimento. Essa habilidade é a primeira e ela é quem abre espaço para todas as outras. Tem a ver com o olhar para si, para tudo que sentimos, pensamos, a forma com que agimos independente se é positiva ou não. Então, de uma forma conceitual significa a capacidade de reconhecer com precisão as nossas emoções, pensamentos, valores e como eles influenciam o comportamento. Com esse olhar mais direcionado para o nosso interior, a gente pode avaliar com clareza os pontos fortes e as limitações que temos.
O autoconhecimento está ligado ao “Aprender a ser” um dos quatro pilares da educação tratados no relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. Isso significa entender a educação como um projeto de vida a ser planejado e executado por cada um. E para que isso ocorra, é preciso que os indivíduos desenvolvam algumas habilidades como: autodeterminação, resiliência, perseverança, gestão emocional, organização, foco, autoconfiança, autoestima, autoproposição, entre outras.
Mas, como fazer isso? Para começar, tente superar ideias como:
“É da minha natureza agir dessa maneira.”
“Não vou mudar. Eu estou certo(a).”
“Eu fiz aquilo porque estava estressado(a).”
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Ter um olhar mais atento
para si – mas seja razoável consigo. Não precisa ser seu algoz;
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Procure identificar suas
qualidades e seus defeitos – faça isso com verdade;
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Aceite se você necessitar
de algumas readequações – talvez todos nós precisemos pouco ou muito;
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Mantenha uma relação de
diálogo com você mesmo(a);
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Não deixe de escutar as
pessoas que você gosta e confia em suas avaliações;
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Se, ao final, você perceber
que precisa de algum acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, faça urgente!
Precisamos ser felizes.
domingo, 19 de julho de 2020
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